nro. 18
Por que socialismo ou por que não socialismo?

Emir Sader

Eu proponho inverter a questão proposta e perguntar-nos por que o socialismo ainda não triunfou no mundo? Todos nós aqui aderimos ao socialismo, temos consciência que a sociedade socialista é uma sociedade socialmente superior ao capitalismo, moralmente superior, politicamente superior, culturalmente superior. Se houvesse mais tempo seria necessário desenvolver aquilo que os companheiros já fizeram, isto é, antes de tudo é sempre bom falar porque não o capitalismo.

O socialismo nasce como negação do capitalismo. Então não podemos falar abstratamente do socialismo, temos que partir do capitalismo tal qual ele existe, para entender a sociedade que nós estamos, para entender suas contradições, para entender que setores são interessados em construir uma sociedade nova e saber que orientações mobilizam as consciências das pessoas. Será necessário então, obrigatoriamente, para falar de socialismo, falar de capitalismo. Mas isso nós não vamos fazer agora porque requereria um tempo mais longo, mas obrigatoriamente o nosso ponto de partida é o capitalismo. Não porque o aceitemos -ao contrário, nós negamos e queremos superá-lo- mas é onde nós estamos vivendo, onde nós temos os pés no chão, onde vive a maioria esmagadora da humanidade, ou a grade maioria da humanidade, são sociedades capitalistas. Então a compreensão do capitalismo é o ponto de partida obrigatório pra saber com que forças nós contamos pra chegar a uma sociedade superior.

Por isso a questão é inversa. O socialismo é moralmente, socialmente tão superior que a pergunta nossa deveria ser: por que não o socialismo, porque o socialismo não triunfou até hoje? Porque nunca na humanidade teve tanta gente excluída. Nunca houve tanta concentração de renda, mesmo num país como os Estados Unidos, com oito, nove, dez anos de crescimento, nunca houve tanta concentração de renda. Nunca eles trabalharam tanto tempo, nunca se alienaram tanto em termos de trabalho. Nunca se concentrou tanta renda quanto lá. Nunca se vive com tão poucos direitos quanto nos Estados Unidos hoje em dia. Então a humanidade nunca viveu uma crise social tão grande e, para sermos realistas, temos que dizer que a esquerda nunca foi tão fraca em escala mundial.

Desde que se constituíram a direita e a esquerda, desde que a esquerda existe a partir da Revolução Francesa de 1948, da Comuna de Paris, da constituição do movimento operário, da Primeira Internacional, da Segunda Internacional, da Terceira Internacional, nunca houve uma distância tão grande entre condições miseráveis e condições sociais de exploração, dominação, discriminação. E nunca houve movimento socialista tão fraco no mundo. O movimento de esquerda nunca foi tão fraco no mundo. É indispensável partir disso. Se nós não partimos disso não estaremos sintonizados com essa situação real do mundo. Em primeiro lugar compreender porque que a humanidade é tão explorada, tão espezinhada e, no entanto, hoje em dia, o socialismo não é uma bandeira colocada historicamente como um objetivo imediato.

Em 1917 se abriu uma nova etapa na história da humanidade. O socialismo passou a ser um tema histórico contemporâneo, um objetivo possível de se obter e quase que imediatamente. A idéia de sociedades dirigidas por trabalhadores passou a ser exeqüível. O que aconteceu com o fim da União Soviética, não apenas o fim de um projeto, que muitos de nós não considerávamos o melhor projeto, o projeto ideal, o projeto correto de socialismo, mas o que terminou ali não foi um modelo socialista. O socialismo desapareceu do horizonte histórico imediato. O que quer dizer isso, quer dizer que o nosso objetivo, o objetivo das nossas gerações de combatentes pelo socialismo é recolocar o socialismo como objetivo contemporâneo, não apenas como utopia, não apenas como um objetivo no horizonte longínquo, mas entender como é possível reconstruir um projeto contemporâneo factível de socialismo.

Nós sabemos que mesmo Cuba, que é a sociedade que mais afirma o socialismo, tem consciência clara que hoje não está avançando na construção do socialismo, como diz o Fidel, está tratando de não retroceder num mundo de enorme hostilidade a esse tipo de sociedade. Eu não estou querendo ser pessimista, mas eu acho que o pior serviço que nós prestaríamos ao socialismo seria não ser realistas sobre isso. Por um lado, o potencial extraordinário em construção de uma nova sociedade, porque hoje o capitalismo não distribui mais renda como fez durante algumas décadas, não gera pleno emprego em algumas regiões do mundo, não gera democracias liberais, com relativa participação política; ao contrário, gera miséria, gera apatia política, gera exclusão social e, no entanto há um espaço enorme no qual não está sendo afirmado o socialismo. A grande pergunta é então por que o socialismo hoje não é uma força avassaladora como deveria ser? Se nós olharmos para fisionomia, para a cara histórica do capitalismo mundial, se eles estivessem distribuindo renda, se houvesse progresso, se houvesse emprego, se houvesse socialização de informações e tudo mais, mas isso não acontece. Então isto exige uma profunda reflexão de nossa parte, para saber de que maneira nós podemos superar essa situação, superar a circunstância atualmente existente.

Eu diria que em primeiro lugar, o capitalismo con-seguiu transformar na sua fase neoliberal muito as nossas sociedades. E transformar regressivamente, não apenas cassando direitos, mas fragmentando a sociedade, atomizando a sociedade. Cada vez menos gente no Brasil, a minoria (40% dos brasileiros), tem carteira de trabalho assinada. 60% da força de trabalho não tem carteira de trabalho assinada. Isso é um imenso desafio. Como é que nós vamos conseguir organizar, chegar a essas pessoas, indicar a eles formas de solução coletiva para pessoas que estão vivendo a sua sobrevivência de maneira totalmente individualizada, fragmentada, atomizada. Diferente ao trabalhador que está na fábrica, que tem carteira de trabalho, que tem sindicato, tem um horizonte de luta, tem uma identidade coletiva, tem um sistema jurídico relativamente existente para protegêlo e assim por diante. Outra coisa é a massa da população que hoje em dia, em escala mundial, tende a estar numa situação de fragmentação, de informalidade, de carência. Esse é um enorme desafio, porque o capitalismo conseguiu não apenas fragmentar, quanto difundir a idéia de que a resolução dos problemas de cada um se dá no nível individual e não no coletivo. O capitalismo conseguiu disseminar, não apenas na classe média ou na burguesia, mas em grandes setores populares a idéia de que as soluções coletivas não têm viabilidade, que a solução dos problemas de cada um depende da solução que cada um consiga dar -legal ou ilegal- da busca econômica de soluções etc. Mas de qualquer maneira foi uma transformação ideológica correspondente à fragmentação na sociedade. Por isso esses governos populares no Brasil tem uma importância fundamental, não apenas pelo que eles conseguem realizar em termos de bem estar da população, mas pelo que dizia a vice-prefeita de Caxias, por afirmar que as grandes soluções dos grandes problemas são soluções de caráter coletivo, democraticamente constituídas.

Mas isso ainda atinge um setor minoritário relativamente da população. Porém certamente nós precisamos antes de tudo entender qual é a nova realidade social que o capitalismo proporciona aos nossos países e isso significa um trabalho teórico e um trabalho de pesquisa social, que não é um trabalho dos intelectuais apenas, é um trabalho da massa de militantes. Se nós tivéssemos uma sociedade que nós controlássemos, conhecêssemos como a palma da nossa mão, era uma questão prática, de colocar em prática um projeto determinado. Hoje em dia, não esperem da universidade um projeto de entendimento do que é a sociedade brasileira. Isso tem que vir da articulação de quem está na universidade, com as entidades partidárias, sociais, centros de pesquisas do movimento popular, tem que ser um grande projeto de pesquisa teórica e concreta pra saber qual é a sociedade que nós temos.

E o que mais? O que mais é pensar de que maneira nós podemos transformála, em que direção nós podemos partir do que é o capitalismo hoje em dia, a partir das pessoas tal qual elas são hoje em dia, e construir um projeto novo de sociedade. Para isso é preciso repensar o nosso país.

Eu vou falar do Brasil mas provavelmente vale para os outros países também. Nós não pensamos mais no Brasil, não pensamos mais na nossa sociedade, não pensamos mais no nosso país. A grande mídia nos leva a pensar a economia; nem sequer a economia, as finanças do Brasil; nem sequer as finanças, a conjuntura financeira. Se a gente pergunta como está o Brasil, as pessoas vão olhar para bolsa de valores, como se aquilo fosse o coração da nossa sociedade. E nós da esquerda, nós militantes, nós intelectuais, nós estudantes não conseguimos colocar para sociedade o pensamento de que país nós queremos, por qual Brasil nós lutamos, qual é a sociedade que nós queremos construir no século XXI. Freqüentemente perdemos até a oportunidade de, em campanhas eleitorais nacionais, discutir o país. Nos deixamos levar pela temática das elites dominantes e ou discutimos a economia ou discutimos soluções conjunturais, discutimos a dívida pública, discutimos o capital financeiro, que devem ser discutidos. Mas antes de tudo nosso objetivo é que sociedade nós queremos, que país nós queremos, que Brasil nós queremos.

Nós estamos num momento muito importante, porque se esgotou um projeto de sociedade na América Latina. Se esgotou o modelo neoliberal, o modelo do ajuste fiscal. A burguesia já teve que se desfazer do Menem, porque já prestou o seu serviço; se desfez do Pinochet porque já prestou o seu serviço; se desfez do Fujimori que já prestou o seu serviço. Daqui a pouquinho vai se desfazer do Fernando Henrique, que já prestou o seu serviço e aí eles virão tentando oxigenar o seu modelo a través da chamada Terceira Via. De La Rua demostra o fracasso estrepitoso, o Fox vai demonstrar depois de amanhã, o Ricardo Lagos demonstra que não se edifica nenhuma mudança em relação ao que foram os governos democráticos cristão. E, se chegasse a esse desastre brasileiro do Ciro Gomes ser eleito, vai ser o fracasso do governo de De La Rúa com uma crise social muito maior que a crise atual da Argentina. Então é um novo desafio pra nós, não de colocarmos hoje o socialismo como alternativa, mas de colocarmos um projeto de sociedade justo, humanista, solidário, que certamente está em contradição com a dinâmica do capitalismo. Que vai começar a reconstruir as forças sociais, reconstruir um projeto de sociedade que pode nos conduzir a um Brasil e a uma América Latina de caráter socialista.

No Brasil em particular (permita me dirigir particularmente aos brasileiros), nós estamos entrando num ano que vai ser decisivo, porque nós não mudaremos o mundo, não poderemos construir uma sociedade socialista se não conseguirmos fazer com que as pessoas mudem sua forma de pensar. Todas as formas são possíveis e necessárias: a agitação, a luta imediata, a luta econômica, a propaganda geral do socialismo. Mas no essencial tem que ser que as pessoas possam mudar a sua forma de pensar. Mesmo uma campanha eleitoral, bonita como a gente fez recentemente no Brasil, foi uma campanha que não rompeu fundamentalmente com a apatia das pessoas. É como se a cidadania consultada prefere um governo ético, um governo que privilegia o social. Mas a gente olha para as pesquisas, os valores que as pessoas continuam a se decidir por eles são a estabilidade monetária, a estabilidade financeira. Nós não conseguimos fazer com que as pessoas façam um balanço de por que o Brasil está em crise, diferente daquele que existe atualmente. E para isso é preciso discutir a sociedade, não apenas discutir o desequilíbrio fiscal, a inflação, a crise monetária, a fuga de capitais, que são temas importantes, mas antes de tudo para nós isso são instrumentos de construir uma nova sociedade.

Então nós temos que partir do que o Brasil é ou do que as nossas sociedades são, do que a América Latina é, e do tipo de sociedade que nós queremos construir, que é uma sociedade anticapitalista, superadora da exploração, da dominação e da alienação que são os três pilares contra os quais nós teremos combater para destruir o capitalismo. Para isso é preciso desenhar um tipo de sociedade, é preciso analisar quais são as forças sociais que estão interessadas nisso e é preciso seguir muito estritamente, de maneira criativa, aquelas formulações do Brecht. Bertolt Brecht -que certamente, na minha opinião, é o maior poeta do século XX – e num texto fundamental que se chama «As dificuldades para se dizer à verdade» diz coisas fundamentais. Em primeiro lugar é preciso apreender a verdade, analisar a realidade, conhecer a realidade, saber qual é a verdade efetiva das coisas. Mas depois é preciso fazer com que essa verdade chegue às mãos de quem precisa dessa verdade. A forma pela qual nós vamos fazer com que a massa imensa da nossa população, que é semianalfabeta, freqüentemente analfabeta, consiga ter a apreensão da sua situação social. Porque nós não vamos mudar a sociedade em nome da maioria da população, essa maioria da população é que tem que mudar. Portanto é preciso passar por um processo de conhecimento, de desalienação, de educação, de construção de sujeitos populares. Mas para isso não basta apenas o conhecimento, é preciso instrumentos pra isso, é preciso o panfleto, é preciso o jornal, é preciso a fala televisiva, é preciso a fala radial, é preciso criar um imenso aparelho, um aparato popular, democrático, de divulgação do que a gente quer, de divulgação dos instrumentos pra que a massa da população consiga apreender as verdades essenciais pra ela se desalienar. Para ela perceber quais são os caminhos de construção de uma nova sociedade. Então é um trabalho árduo pela frente. Porque o socialismo não pode ficar para nós como uma utopia.

Nós poderemos fazer alguma coisa muito mais bonita, ao invés de falarmos da superioridade do socialismo sobre o capitalismo, falar da superioridade do comunismo sobre o socialismo, que é uma sociedade mais avançada ainda. E é bom faze-lo. No entanto hoje em dia nós precisamos efetivamente criar a força social, política, cultural do socialismo. Isso se constrói com conhecimento, com prática social, com organização, com muita tenacidade. E partindo daquilo que eu considero que é fundamental - um realismo com relação ao que está reduzido hoje o socialismo no mundo. Já não vou nem falar de partidos social democratas europeus que se dizem socialistas e não são. Mas mesmo entre nós as dificuldades do trabalho, da luta que nós estamos levando adiante, isto é, as dificuldades de num sistema político corrompido, corrompido pelo dinheiro, corrompido pelo monopólio dos meios de comunicação, se meter dentro desse sistema e construir e uma alter-nativa anticapitalista. É um trabalho muito difícil. As regras do jogo são radicalmente contra nós. Não são feitas pra se construir uma alternativa socialista. Está aí a experiência de Salvador Allende. E eu digo, não para dizer que nós devemos nos afastar desse sistema, nós temos que construir alternativas na perspectiva de saber que chegado um momento, em que se nós conseguirmos uma maioria eleitoral efetiva no país, vamos ter dificuldades para implementar, para consolidar o nosso poder, para construir uma nova sociedade. Não basta a superioridade moral de defender caindo, sendo morto, sendo derrotado com as armas na mão. È necessário conseguir a força majoritária da população, para transformar esses processos em processos irreversíveis.

Então é uma estratégia muito complexa e eu considero que todos nós somados até hoje, não temos estado à altura dos desafios que isso significa. Não temos estado à altura porque o inimigo é muito forte. Não é forte moralmente, não é forte socialmente, mas é forte ideologicamente, tem valores que penetraram profundamente na massa da população e é forte politicamente, porque detém o poder do Estado, detém os grandes órgãos econômicos internacionais, detém grande parte do monopólio militar e detém o monopólio dos meios de comunicação. E nós temos que enfrentar essa luta em muitos planos. Hoje em dia nós não vamos desafiálos com uma força militar que se enfrente a força deles, salvo em países com situações particulares, mas não é esse o plano de enfrentamento hoje. O plano de enfrentamento hoje é o plano do enfrentamento da idéias, é o plano de enfrentamento da luta social, da organização e aí é que nós temos que concentrar as nossas forças essenciais. E nós temos sido débeis, não temos tido capacidade de mobilizar todo o potencial do nosso povo. Não apenas o potencial de miséria, que nós temos que transformar num elemento revolucionário, mas o potencial de vontade de transformação, porque ele afirmou inclusive nas urnas, nós temos sido direções políticas, ideológicas insuficientes pro tamanho desse processo. Mas nós temos pelo menos um ano inteiro, o ano de 2001 para desatar no Brasil um imenso processo de discussão de debate, de formulação de plataformas alternativas. Não adianta esperar 2002 e achar que com uma inteligente campanha de marketing televisivo nós vamos ganhar. Porque a opinião pública se forma ao longo do tempo. Toda vez que a esquerda triunfou, triunfou porque nos anos anteriores fez não apenas boas administrações, mas esteve em todas as paradas de luta social, foi liderança, colocou as suas pautas como pautas de discussão nacional.

Então nós temos uma oportunidade histórica nova porque a burguesia está esgotando no Brasil e na América Latina um impulso fundamental que ela conseguiu impor que era da estabilidade monetária. Então agora vamos disputar quem vai ocupar esse vazio que o Menem deixou pra trás e o De La Rua está deixando rapidamente, que o Fujimori deixou pra trás, que o Fox vai deixar rapidamente e que vai sobrar no vazio, no vácuo do Fernando Henrique. Esse é um novo desafio, um desafio que vai nos colocar ter o socialismo como horizonte, mas construir uma alternativa democrática, popular, solidária e humanista, que em si mesma terá o gérmen do anticapitalismo. Porque ela vai atender não o consumo da elite, mas o consumo da massa da população. Ela vai atender não o ensino especializado para os quadros para reprodução do capital, mas vai atender a educação popular da massa da população. Quer dizer ao reverter às prioridades fundamentais nós estamos nos chocando com a dinâmica fundamental de acumulação de capital. É uma batalha dura, é uma batalha difícil.

Nós estamos partindo hoje em dia de um patamar de lutas que é um patamar mais baixo do que a humanidade atingiu anteriormente. Em compensação nós partimos de uma experiência histórica. Sabemos que socialismo sem democracia não triunfa. Sabemos que socialismo baseado em avanços econômicos sem desalienação, sem participação política não tem saída. Nós sabemos que a nossa força fundamental não é disputar o progresso material com o capitalismo, mas é o progresso moral, o progresso social, o progresso cultural, o progresso político. Então nós temos a vantagem, se soubermos fazer isso, de refletir sobre os revezes que a humanidade teve no século passado para poder sair fortalecidos, para transformar esses elementos em elementos de vitória, elementos de triunfo, elementos de avanço.

Para terminar eu diria que o século XX dava a impressão que ia ser o século do socialismo. Eu acho que o livro mais importante para entender o século XX continua a ser «O imperialismo», do Lenin. Ele previu o que ia acontecer, as guerras interimperialistas, a afirmação do imperialismo no século. Tudo se deu, infelizmente, com estava previsto ali. E termina o século com guerras imperialistas como começou o século. No entanto ele provou outras coisas também. Nos tirou a ilusão de que o socialismo seja irreversível. Era falso o slogan «a humanidade caminha para o socialismo» ou «o socialismo é um patamar irreversível da história da humanidade», «o socialismo não volta atrás», não é verdade. Não há nada decidido previamente para onde a humanidade vai. A história dos homens é decidida pela força, pela consciência, pela organização dos homens. Ao mesmo tempo em que o socialismo não é inevitável, o capitalismo também não é. Porque o século XX mostrou que uma parte da humanidade rompeu com o capitalismo. E uma parte dessa parte voltou pro capitalismo. Vimos então que nem capitalismo nem socialismo são destinos obrigatórios da humanidade. É uma luta histórica, aberta, vai depender da nossa consciência, nossa capacidade política, nossos valores morais, nossa tenacidade, para que a gente possa efetivamente construir uma sociedade socialista e sabermos, concretamente por que o socialismo é um patamar mais alto na história da humanidade. Obrigado.

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